A TPM é muito conhecida enquanto uma síndrome que antecede o preíodo menstrual das mulheres. Algumas queixam-se mais, outras menos, enfim, essa sigla é difundida universalmente por esse sentido.
Por um outro lado, a TPM pode aquirir outros contornos – conforme o andar da carruagem ou o assoprar dos ventos – uma vez que pensamos no universo um tanto quanto mais restrito, o da vida acadêmica. Academia aqui entendida enquanto espaço para a formação profissional no ensino superior.
Esse sentido estaria então atrelado a um certo momento da vida acadêmica em que o profissional em formação avança na sua condição de “receptor” (em “50% +1″ dos casos) e alcança o patamar de produtor de conhecimento. Algumas instituições o chamam de Trabalho de Conclusão de Curso, outros de Trabalho Monográfico, e há ainda o Relatório Final de Curso ou Portifólio, e outros nomes e tipos de trabalho para se avaliar o aspirante a egresso.
A autonomia despedaçada e a causalidade
Interessante pensar que ao avançar no terreno da produção do conhecimento certos aspectos tem de ser levados em consideração: produzir algo significa atribuir uma assinatura própria em uma criação, ou seja, de se posicionar e assumir autoria. Ora, se pensamos em assunção de responsabilidades, isso nos remete a pensar, inicialmente, a partir de dois aspectos bem particulares: 1) criar requer autonomia e 2) existe uma relação causa-efeito imbricada nesse processo.
De um modo bem simplificado, a relação causa-efeito, ou causalidade, diz de que toda causa ocasiona furtuitamente um efeito. É um pensamento linear que tenta, filosoficamente, explicar as ações desencadeadas no mundo material. É daí que surgem algumas ideologias que devemos estar bem atentos, como a ideologia neoliberal.
Pensar que o sucesso ou o fracasso depende única e exclusivamente das ações desencadeadas pelo indivíduo é desconsiderar toda a estrutura social que tange a vida desse mesmo indivíduo. É o mesmo dizer que “as oportunidades são iguais para todos” quando elas de fato não são. Essas são construções ideológicas reforçam a desigualdade e o individualismo e é por isso que ao desejarmos um “bom dia” a pessoa logo corre ou saca o spray de pimenta.
Dada nossa cultua educacional, percebemos que as expectativas que giram em torno do sistema educacional, se referem a aprender algo útil e que tenha aplicabilidade no cotidiano. Visão restrita porém não equivocada, uma vez que falamos em receber salários e conseguir sobreviver até o próximo mês. Então penso que, se a educação possui essa funcionalidade determinada – a de fornecer elementos para que a pessoa aprenda a ser rentável – então eu, enquanto professor, tenho pouca autonomia para ensinar, e meu aluno, menos autonomia para aprender.
A construção da autonomia, ao meu ver, se dá a partir da internalização das responsabilidades individuais e coletivas, porque é a partir daí que é possível tomar decisões conscientemente. Uma outra maneira de se interpretar a causalidade, porque aqui as responsabilidades de todos estão atreladas.
O processo da construção da autonomia na educação está despedaçado, não é de “pra que eu vou estudar isso? nunca vou usar isso na prática…” que vamos elaborar nosso pensamento. Essa pergunta é realmente muito eficaz para nossa prática, mas nosso pensar fica em segundo plano. Já disseram uma vez que é preciso que pensemos sobre o nosso fazer, com o cuidado de não nos tornarmos máquinas – experts em prática (e pensar em inteligência artificial…).
De volta a TPM
Agora me referindo ao trabalho monográfico, percebo que para o ato de produzir alguma coisa há a necessidade de se fortalecer a autonomia e assunção de responsabilidades, posicionamento político – entendendo como indissociável do processo educativo -, criatividade e liberdade.
Essas são algumas das várias premissas que não são estanques em si, dado o movimento dialético da realidade, mas penso que a partir desses dados é possível criar uma monografia sem medos ou inseguranças porque é de amor e leveza que o mundo de hoje está precisando mais.
Helô
23/06/2011 at 01:10
Gostei no novo layout!
Li o texto e agora saquei o porque da TPM. hahahaha!