Quando criança eu sempre ficava resmungando e nunca entendia o porquê de não poder ficar com aquele gostinho de doce na boca por mais tempo. Logo depois de comer alguma coisa eu tinha que escovar meus dentes, era um ritual quase que religioso e obrigatório, digno de não se desobedecer, senão o homem-do-saco levaria as crianças desobedientes – ou coisas do tipo.
Engraçado (ou não), mãe e pai tem razões que não podemos deixar de pensar e compreender: “Meu filho, depois que terminar de comer escova seus dentes, senão vai dar cárie” – berro que acompanha o fim de qualquer refeição. Eis que, aceitando a indicação da mãe, o filho aceita a proposta de se cuidar, porque entende minimamente que, se a mãe e o pai dizem aquilo é porque estão pensando no bem que aquele cuidado trará futuramente.
Não é por entender “minimamente” que pode-se dizer que o filho desconhece o(s) porquê(s) desse cuidado. Em um primeiro momento o filho pensa nas possíveis razões que levam os pais a indicar esse compromisso de cuidado próprio, depois pensa nas explicações que decorrem desse cuidado – vos lembro que o bem-estar começa pela boca. E ele pode pensar nas explicações e nas possibilidades, e se ele estiver pensando em possibilidades e explicações erradas, ele vai entender o(s) porquê(s) por si só. A própria Joss Stone já cantara “I got a right to be wrong / my mistakes will make me strong“.
Uma vez que o filho percebe que o que seus pais indicam trará benefícios para si, com sensatez ele assume esse compromisso de se escovar e de se preservar. Mas o filho, por não conhecer completamente esses benefícios, decide procurar por pistas que o levarão a uma maior compreensão sobre esse cuidado que lhe foi indicado. O filho assume o cuidado e procura conhecer aquilo que está dentro, ao redor e através desse cuidado, é assim que ele irá entender de forma mais ampla.
Pensar no que se evita(ria), no que se potencializa direciona o filho a compreender o compromisso que assumiu. Uma vez assumido, o compromisso não se esvairá, pois “minimamente” temos o instinto da auto-preservação, mas mais do que isso, é na auto-preservação do filho que reside a preservação daqueles que o amam. Cuidar de si para que os outros possam se cuidar; um pai e uma mãe se sentem bastante aliviados percebendo que seus filhos podem cuidar de si mesmos, percebem que a orientação que les foi dada fora incorporada e está presente em todas as ações que decorrem desse filho: evolução.
Compreensão a partir de múltiplas perspectivas, e é assim que começamos a entender, de fato, o nosso propósito, o filho que busca entendimento nas hipóteses, nos raciocínios em sequência, nos equívocos de pensamento, nos acertos de deduções… E assim se trilha o saber, para que um dia, quando o filho se tornar pai, ele possa avisar o filho: “Filho, escove seus dentes, e não se esqueça dos seus molares”.
João
11/10/2010 at 17:55
Faça terapia de verdade! Procure um terapeuta! Você não está bem!
Talvez você seja gay e nao sabe ou tem medo de assumir! =)
marcusfef
11/10/2010 at 18:00
joao, não sou gay e não teria medo de assumir, mas concordo: preciso de terapia! Abraço!